Sob comoção, bailarino é enterrado, e amigos falam em crime de homofobia
Reinaldo Pepê, integrante do Balé Folclórico, foi achado morto em pensão.
'Ele só foi mais um na lista', diz diretor artístico; polícia apura motivação.
Um cortejo com amigos, familiares e admiradores, conduziu, em clima de
forte comoção, o corpo de um dos principais bailarinos do Balé
Folclórico da Bahia (BFB), Reinaldo Pepê, 40 anos, no cemitério Campo
Santo, na Federação, em Salvador, nesta segunda-feira (16). A vítima, assassinada
com golpes de faca na barriga e no pescoço, foi enterrada em torno das
15h. Pessoas próximas acreditam que ele tenha sido vítima de homofobia. O
Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) identificou um
suspeito e tenta localizá-lo.Ele só foi mais um na lista. Eu acho que o país não está tendo
cuidado com a gente. E meu sentimento é de indignação. Tenho medo de
amanhã ver a morte de mais dois, mais quatro no noticiário. Ele era uma
pessoa super saudável, um super artista. A Bahia perde um grande
artista", afirmou José Carlos Santos, o "Zebrinha", diretor artístico do
prestigiano balé folclórico baiano, único em atividade no país.
O presidente do Grupo Gay da Bahia (GGB), Luiz Mott, aponta que é o
oitavo assassinato de homossexuais no estado em 2015 e o 62º em todo o
país. "Enviamos um ofício para a SSP [Secretaria de Segurança Pública da
Bahia] para que seja feita uma apuração rigorosa. Por ele ser
homossexual, já é um agravante, torna-o mais vulnerável", comenta. "Foi
tudo incrível. É uma perda para todos nós, mas também para a dança do
Brasil. Para nós, resta o silêncio", disse Jean Gonzaga, músico e amigo
da vítima.
O crime
Reinaldo Pepê Santos foi encontrado morto na pensão onde alugava um quarto e morava sozinho, no bairro do Barbalho, na manhã de domingo (15). Vizinhos informaram à polícia que o bailarino, que morava há seis meses no local, foi visto várias vezes acompanhado do mesmo rapaz, que, no domingo, pouco antes das 5h da manhã, deixou a pensão com os pés sujos de sangue, e com um celular e um notebook nas mãos. Ele se apresentou pela última vez na noite de sábado (14), no Pelourinho, Centro Histórico de Salvador.
Amigos do balé disseram ao diretor da companhia que Reinaldo estava tranquilo. "Após o nosso espetáculo diário lá no Pelourinho, ele que estava programado para sair para uma boate com os amigos acabou desistindo porque estava sentindo uma contusão na perna e achou melhor ir para casa descansar. A partir daí, a notícia que se tem é a de que alguém da vizinhança o viu acompanhado de uma pessoa. Na realidade, essa mesma pessoa que saiu pela manhã carregando um notebook e celular", disse Vavá Botelho, diretor-geral do Balé Folclórico da Bahia. De acordo com ele, Reinaldo não aparentava estar com medo ou assustado na hora da apresentação.

Vavá Botelho lamentou as situações de violência vividas por representantes da cultura da Bahia. "Tivemos a grande perda de Augusto Omolú, nas mesmas circunstâncias. E agora com Reinaldo. Isso tudo é fruto de um mundo violento que a gente está vivendo. A dança, a arte em geral, com esse tipo de coisa que acontece", lamentou o diretor artístico.
FONTE: G1 BAHIA
VEJA BAIXA GRANDE, MARCELO BARBOSA JP
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