A Rua Laura Costa,
uma das ladeiras que ligam as regiões da Sete Portas até Brotas, é um
perigo à noite. O aposentado Miguel de Souza Braga, 66 anos, não queria
que a mulher andasse pela região e subisse a ladeira sozinha ao voltar
do trabalho.
Por isso, todos os
dias, ia buscá-la de carro, no ponto de ônibus onde ela descia, em
frente ao Mercado das Sete Portas, na Rua Cônego Pereira. O casal morava
na Vila Laura. Na noite de segunda-feira (20), enquanto
esperava a mulher chegar de mais um plantão como assistente social do
Hospital Juliano Moreira, Miguel foi surpreendido por dois homens armado
Ele foi morto a tiros na Sete Portas durante um suposto assalto. Idoso esposa dentro de carro; bandidos não levaram nada
Ele estava dentro do carro, um Gol cinza,
estacionado em frente ao mercado, quando foi morto com dois tiros, um no
tórax e outro na cabeça. A esposa de Miguel desceu do ônibus minutos
depois. Esperava seguir para casa de carona.
Deu de cara com a pequena multidão ao redor do carro
do marido, e ele quase morto. “Ela ainda viu ele dando o último
suspiro”, disse uma amiga do casal, que não quis ser
identificada. Segundo informações preliminares divulgadas ontem pela
manhã pela Central de Polícia (Centel), passava das 20h30 quando os
bandidos anunciaram o que seria um assalto.
Ele foi morto a tiros na Sete Portas durante um suposto assalto.
Idoso esposa dentro de carro; bandidos não levaram nada(Foto: Evandro Veiga) |
Aí começam as controvérsias. A polícia trabalha com a hipótese de latrocínio.
A Centel resumiu-se a informar que a dupla anunciou o
assalto, exigiu o veículo e na sequência atirou em Miguel. A 2ª
Delegacia (Lapinha), responsável pela área, não deu detalhes do crime.
Na verdade, sequer
o havia registrado. Um delegado do Departamento de Homicídios e
Proteção à Pessoa (DHPP) esteve no local do crime e presidiu o
levantamento cadavérico, mas o departamento também preferiu não dar
informações do ocorrido. Até a tarde da terça-feira (21) não havia a
confirmação de quem investigaria o caso.
Abalados
O fato é que, por algum motivo ainda não elucidado, os bandidos atiraram.
“Ele tinha um inchaço na perna e tinha dificuldades
de andar. Como ele mancava e puxava da perna, os caras podem ter achado
que ele tava armado”, sugeriu o microempresário Gil Morais, sobrinho da
esposa de Miguel.
Abalados, nenhum outro familiar quis comentar o
crime no Instituto Médico-Legal Nina Rodrigues. Acontece que, durante o
sepultamento, outros familiares do aposentado disseram que ele foi morto
dentro do carro, onde o corpo foi removido por peritos.
Eles também informaram que os assassinos fugiram sem
levar nada. Deixaram o veículo, carteira e uma quantia em dinheiro (não
informada) que ele levava no bolso. Neste caso, o aposentado teria sido
vítima de uma tentativa de latrocínio. Mas testemunhas ouvidas pela
reportagem contestam essa versão.
“Eu vi quando tudo aconteceu. Estava naquela janela
de casa (aponta para prédio defronte). Vou te dizer uma coisa, eu não
sou perito, mas aquilo não foi um assalto. Os caras chegaram, desceram
de um carro e atiraram. Isso pra mim é execução”, disse um rapaz que
trabalha no mercado e mora bem próximo ao local do crime.
Outra testemunha descreveu ao CORREIO a ação dos bandidos da mesma maneira.
FONTE: CORREIO
VEJA BAIXA GRANDE, MARCELO BARBOSA JP
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